Marcoleti, o divertido!

(…) mas o pior de todos os momentos foi o acidente na volta da viagem de carnaval. Nem é saudades que sinto, só preocupação em saber se ainda continua vivo, se ainda sobrou da grana pra comprar comida, se continua pagando as contas, se voltou a falar com a família, se conseguiu fazer algum amigo. Imagino que seja a única no universo dele a ter tal preocupação.

Com 20 anos a mais que eu. Nunca fomos namorados de fato. Convivemos por longo período. Estudamos juntos. Sempre gostou de mim, sempre forçou, agradou, me venceu pelo cansaço! Admirava e não compreendia minha vida agitada, quis participar, não acompanhou. Frequentei sua casa, precisávamos estudar, eu precisava aprender a programar, nunca nem aprendi. Seu apê pequeno e sujo! Tive que lavar o banheiro algumas vezes com medo de que um bicho me entrasse nos meus pés, ou sei lá na minha .., ou pegasse uma doença. Também tentei retirar a poeira de anos, jogar lixos acumulados fora… desisti, muita coisa. E tinha a alergia dele, melhor então era deixar como estava.

Fomos convivendo, reprovando matérias de programação juntos (claro, ele reprovou pra continuar ao meu lado), saindo apenas para comer e ir ao cinema, ficando – nos meus fins de semana livres – enclausurados no apê. Apê nem mais tão sujinho assim. E até o sol passou a frequentar o ambiente..

Uma vez fizemos uma viagem de carnaval para uma dessas cidades da Bahia, essas bem próximas de Brasília. Curtimos, brigamos, nos divertimos, brigamos, saí pra andar sozinha pela cidade, ficou grilado, fizemos as pazes, conheci um menino bonito da cidade, ficou com ciúme, dei um perdido, voltei na madrugada. Na volta para casa minha função era conversar enquanto nos trazia vivos. Tínhamos essas conversas de prever coisas. Dizia que eu era meio bruxa, que tudo que dizia acontecia, que eu tinha uma língua maldita. Ok, bateram no nosso carro na volta. E claro, foi minha culpa. Eu, de passageira fui culpada.

(Esqueci de falar de suas manias, de suas crenças, de suas loucuras, de seus remédios controlados e de sua impotência sexual – subentenda!)

Foi apenas um evento extra. Nos afastamos quando desisti do curso.

Era bancário, chutou o pau e pediu demissão, processou, recebeu bolada.

E como disse antes, me preocupo. Faz algum tempo que não o vejo.

Das últimas vezes que o vi.. deixa lembrar.. ah agora é espírita, um tanto mais louco. Me fez medo dizendo ter espíritos por toda parte e outras conversas sinistras. E falou de um peso por ter comido uma mulher casada que conhecera há pouco.

Me fez sorrir diversas vezes, eis meu dever em cuidar..

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